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Tratado do Lugar Onde Te Encontro

Não é no corpo. É no tempo que o corpo inventa: o instante anterior ao instante em que a pele sabe que vai ser tocada. É na geografia que nasce do toque: a fronteira que se dissolve entre rio e margem, o arquipélago de arrepios, o meridiano único do suspiro. É na matéria que se torna verbo: quando “peito” já não é osso ou pele, mas o susto do pássaro ao encontrar o céu vazio e perfeito. É no silêncio que habita entre dois sons: o do meu nome na tua boca e o do teu nome na minha boca — e o vasto, puro deserto entre eles, onde não somos dois, somos o eco que procura sua origem. É no espaço que sobra quando todas as palavras se rendem ao calor: aí, nesse núcleo de eclipse, somos o que não pode ser nomeado, somos a evidência mineral de que o centro do mundo é sempre um corpo aceitando outro corpo como tradução definitiva do infinito.